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Qual é a preferência nacional...

Qual é a preferência nacional: futebol ou educação?

 

  Vejo com estranheza a mobilização das autoridades para a realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil. Estranheza quanto à alteração do calendário escolar para instituições educacionais. Como é possível a uma nação alterar um calendário escolar recomendando mudanças no início do ano letivo, férias, bimestres, semestres, para “presentear” a população com o espetáculo dos jogos de futebol. Quantos dos alunos brasileiros estarão nos estádios participando desse grandioso evento? Não seria mais prudente estarem em sala de aula para novas descobertas e aprendizagens? Se a educação contribui para o desenvolvimento de uma nação, qual seria o benefício de suspender as aulas em decorrência da Copa do Mundo? Esse evento contribuiria para nos tornamos mais potentes internacionalmente?

  Melhoraria os nossos  índices do PISA? Os estudantes brasileiros demonstrariam maior domínio na leitura, escrita e na matemática? Para qualquer estudioso da área da educação a resposta não seria positiva.
Considerando tais questionamentos, cogito se estou na “contramão” por onde trafega a maioria. Vejo alguns estados brasileiros se organizando, diminuindo o período de recesso em janeiro; tempo esse necessário para o descanso e retomada para o próximo ano letivo.

  Outros propondo o início das férias no mês de junho, como se a organização escolar bimestral ou semestral não tivesse seu devido valor.
Não estou aqui contrariando um evento que é a paixão da maioria dos brasileiros, também gosto de me envolver nesse clima, somente não aceito mudar a dinâmica de um trabalho sério e comprometido com a sociedade, a favor da Copa do Mundo de futebol.


  Os jogos previstos, dos quais a seleção brasileira participará no mês de junho, são apenas três, e no final da tarde. Como explicar mudanças dessa natureza por tão pouco. São esses, entre outros acontecimentos,  que retratam o valor dado à educação por aqueles que sugerem e recomendam tais medidas.
Lembro, ainda, que a maioria dos municípios brasileiros não sediará os jogos; mais um motivo para questionar. Se houvesse uma proposta apenas para as cidades sedes, com medidas que não prejudicassem  as escolas eu até entenderia, porém não é essa a propositura.


  Afinal, o que restará para nós em 2014?
  É fala recorrente que o início de cada ano no Brasil, só acontece após o carnaval.  E em 2014, só após a 1ª quinzena de julho? Qual a perspectiva, então, para a economia nacional? Continuaremos à espera do aquecimento dos diferentes mercados para vislumbrar novos horizontes. Não! É preciso rever nossas necessidades, em âmbito nacional.
Muitos países que se destacam com resultados excelentes em relação ao desempenho de seus alunos pressupõem que os valores da Educação devem ser construídos juntamente com os da democracia. 

  A seriedade com que a Educação é vista por eles equivale à prioridade que lhe confere a sociedade. São esses fatores, entre outros, vinculados às políticas educacionais, ao financiamento da educação, à valorização do magistério, ao compromisso político, componentes de uma educação como prioridade.


  Retomo ao início da nossa conversa: é oportuno mudar um calendário escolar em virtude da Copa do Mundo de futebol? Desejo que a seleção brasileira seja bem sucedida nesse evento, mas desejo muito mais ver os índices de desempenho escolar dos brasileiros ocupando as primeiras colocações. Sonho, também, que todos os jovens ingressem nas universidades e que possam escolher os melhores caminhos na vida adulta.


  Os talentos que compõem o grupo da seleção brasileira, uma minoria, não almejam o sucesso acadêmico, porém os milhões de brasileiros, que estão na escola, aguardam uma oportunidade pelo viés das aprendizagens produzidas em sala de aula. Nesse sentido, entre as novas arenas de futebol e a salas de aula, o melhor a fazer é cumprir o planejamento das atividades escolares e nas horas disponíveis torcer pela seleção brasileira.
Sou a favor da Copa do mundo, esse não é o problema! Problema é esquecer-se  das necessidades latentes de um país e recomendar alterações na organização de um calendário escolar, pilar  de todas as atividades pedagógicas e educacionais.


  Enfim, quero que os alunos brasileiros sejam os melhores goleiros, atacantes ou zagueiros numa luta incessante em benefício do desenvolvimento humano, das diferentes aprendizagens que acontecem na escola e, acima de tudo, que a taça do sucesso escolar seja do Brasil.


Ana Maria da Silva Fortes Aguiar
Mestre em Educação
Diretora Pedagógica do Colégio Antares